TÓPICOS

Organizações religiosas rejeitam tentativa de cooptação de mineradoras

Organizações religiosas rejeitam tentativa de cooptação de mineradoras


We are searching data for your request:

Forums and discussions:
Manuals and reference books:
Data from registers:
Wait the end of the search in all databases.
Upon completion, a link will appear to access the found materials.

A rede de Igrejas e Mineração repudiou a estratégia de cooptação financiando e auxiliando "seminários teológicos em várias partes do mundo para melhor equipar pastores e líderes de igreja para servir às comunidades afetadas por projetos de mineração".

Por meio de carta aberta, afirma que o dever das empresas “é obter a anuência prévia das comunidades antes de abrir um negócio, garantir condições adequadas ao seu licenciamento, evitar danos socioambientais, pagar impostos ao Estado por suas políticas sociais e multas por cada violação provocada. "

Ele acrescenta que “é assim, e não sugerindo outro tipo de financiamento ou parceria, que eles ganharão nosso reconhecimento como atores responsáveis”.

Afirma que “os agentes pastorais não precisam da formação das mineradoras para exercer com competência a mediação” nos processos de diálogo.

Ele acrescenta que a iniciativa mineira busca usar a Igreja em benefício de seus interesses e enfraquecer seu papel de "defensora da justiça e defensora dos pobres", este último uma citação do Papa Francisco em seu discurso às comunidades do Rio de Janeiro, em Julho de 2013.

Não perca a carta aberta abaixo:

A igreja não pode ser comprada

Carta aberta de Igrejas e Mineração sobre a sedução de mineradoras

Iglesias y Minería é uma rede latino-americana de comunidades cristãs, religiosas e religiosas que, com o apoio de vários bispos, a Rede Eclesiástica Panamazônica (REPAM), o Departamento de Justiça e Paz da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM) e o Conselho Latino Americano de Iglesias (CLAI), trabalha há dois anos para lidar com os impactos da mineração.

Conhecemos de perto o sofrimento de muitas comunidades e povos tradicionais, bem como as violações dos direitos ambientais e das gerações futuras causadas pelos grandes empreendimentos mineiros que se expandem no nosso continente. Estas são operações comerciais contra direitos que violam a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e os princípios da ONU sobre empresas multinacionais e direitos humanos.

Vários bispos e algumas conferências episcopais falaram em várias ocasiões em apoio às comunidades afetadas e denunciaram os conflitos causados ​​pelas empresas de mineração, muitas vezes com o aval dos Estados-nação.

A ação pastoral das igrejas, junto às comunidades e com suas posições oficiais, tem sido eficaz em demonstrar a contradição do modelo econômico extrativista e seus danos à vida humana e ao Planeta. Da mesma forma, têm contribuído para fortalecer os povos em suas lutas e resistências, bem como na construção de alternativas.

As maiores multinacionais da mineração estão tentando organizar estratégias que se oponham a essa ação e às denúncias. Mesmo aumentando a sua presença nos territórios e junto com as comunidades, as empresas não conseguiram seduzir os dirigentes e os habitantes mais conscientes, organizados em muitos casos em torno das comunidades cristãs.

Houve então uma abordagem institucional: altos executivos e grandes acionistas de várias empresas de mineração solicitaram um dia de "retiro" no Vaticano (em outubro de 2013) e um dia de reflexão em Canterbury, para se aproximar da Igreja Anglicana (em outubro de 2014). Também nestes casos, apesar de encontrarem escuta e abertura ao diálogo, não conseguiram cooptar as igrejas e fazer com que abençoassem o seu funcionamento, visto que as mineradoras procuram obviamente a satisfação de interesses económicos e financeiros e, na maioria dos casos, os seus. As declarações formais não correspondem a uma prática efetiva de escuta e respeito às comunidades dos territórios.

A terceira iniciativa sedutora foi lançada recentemente. Queremos que seja conhecido, junto com nosso mais profundo repúdio.

Chamado de “mineração em aliança (anexamos o documento com a proposta completa, que foi recebido por algumas de nossas congregações religiosas em março de 2015)”, é proposto “ajudar os seminários teológicos em diferentes partes do mundo a melhor equipar pastores e líderes religiosos para servir às comunidades afetadas por projetos de mineração ”. É um exemplo dos benefícios que esta iniciativa trará para empresas e igrejas. Ele propõe que as igrejas “pensem teologicamente, ética e liturgicamente sobre a mineração, local e internacionalmente”.

Sobre esta iniciativa, queremos expressar nosso posicionamento:

  • Repudiamos o convite para que a igreja faça aliança com as mineradoras. Relendo o documento elaborado por ocasião do “retiro” no Vaticano, fica ainda mais claro o que as empresas entendem por esta aliança: Elas se perguntam “Como é que a indústria de mineração pode causar uma impressão melhor?” e um empresário afirma que espera que “um formador de opinião da estatura da Igreja Católica (…) ajude a informar a população mundial sobre os avanços significativos do setor de mineração”.
  • Não é papel das igrejas convencer seus fiéis sobre a bondade de um empreendimento. Também é absurdo pensar que a igreja pode simplesmente "servir às comunidades afetadas pelos projetos de mineração". A igreja (cf.GS1) assume os dramas, as esperanças e as exigências dos mais pobres e das vítimas de uma economia que tende a rejeitar cada vez mais pessoas (EG53) e que está definitivamente a comprometer o equilíbrio da Criação. O dever das empresas, sujeitas ao controle do Estado, é obter a anuência prévia das comunidades antes de constituir um empreendimento, garantir condições adequadas ao seu licenciamento, evitar danos socioambientais, pagar impostos ao Estado por sua natureza social. políticas e multas por cada violação provocada. E é assim, e não sugerindo outro tipo de financiamento ou parceria, que ganharão o nosso reconhecimento como actores responsáveis.
  • Reconhecemos a importância do diálogo entre as comunidades cristãs e as empresas de mineração. Procuramos esse diálogo diariamente (muitas vezes em vão) nos mais diversos contextos de conflito local, onde as comunidades denunciam violações específicas e apresentam demandas específicas. É aí que o diálogo deve começar; lá é medida a real disposição das empresas com as comunidades. Os agentes pastorais não precisam da formação de empresas mineradoras para mediar com competência esse diálogo.
  • Financiar iniciativas em conjunto com seminários teológicos parece-nos uma estratégia para cooptar a igreja, utilizá-la para beneficiar os interesses das mineradoras e dividi-la, enfraquecendo o seu papel de “defensora da justiça e defensora dos pobres” (Papa Francisco : Discurso às comunidades do Rio de Janeiro em julho de 2013. As empresas, ao invés de destinarem dinheiro para reparar todos os danos reportados pelas comunidades, investem em projetos de propaganda ou em atividades que visam apoiar financeiramente lideranças de movimentos sociais, sindicais ou pastoral, com o objetivo evidente de reduzir a crítica não pela mudança, mas pela cooptação de quem a formulou.

Convidamos, então, o Conselho Pontifício Justiça e Paz, as Conferências Episcopais, as Igrejas Irmãs Reformadas, Teólogos e Organizações Cristãs comprometidas com a defesa das comunidades afetadas pelas violações dos direitos socioambientais. E às pessoas de boa vontade, a expressarem connosco o seu repúdio por mais uma iniciativa de cooptação das grandes mineradoras. Continuaremos com humildade e persistência o nosso acompanhamento às comunidades: é nelas e para elas, cada vez mais conscientes, protagonistas e enraizadas na defesa dos seus territórios, que se constrói o Reino de Deus.

Igrejas e mineração, abril de 2015.

  • Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade - AFES -
  • Agenda Latino-americana Mundial
  • Amerindia Colômbia e Continental
  • Associação Eumênica de Teologos / as do Terceiro Mundo - ASETT -
  • Associação Madre Cabrini, Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus - Brasil
  • Associação Menonita pela Justiça, Paz e Ação Não Violenta -JUSTAPAZ-
  • Caritas de El Salvador, El Salvador
  • Caritas Jaén, Peru
  • Centro de Ecologia e Povos Andinos -CEPA- Oruro Bolívia
  • Centro de Justiça e Equidade -CEJUE- Puno, Peru
  • Centro Franciscano de Defesa dos Direitos, Brasil
  • Claretianos San José del Sur, Uruguai, Paraguai e Chile
  • Coalizão Ecumênica para o Cuidado da Criação, Chile.
  • Conselho Latino-Americano de Igrejas - CLAI-
  • Conselho Mundial de Igrejas, Justiça Climática -WCC-
  • Conselho Indigenista Missionário -Brasil-
  • Coordenação Continental de Comunidades Eclesiais de Base
  • Comissão Verbita, JUPIC- Amazônia.
  • Comitê em Defesa de Dois Territórios em Frente à Mineração, Brasil.
  • Comunidades construindo a paz nos territórios - Fé e política -Conpaz- Colômbia.
  • Comissão Inter-eclesial de Justiça e Paz - Colômbia-
  • Comissão Pastoral da Terra -CPT- Brasil.
  • Comunidades de Vida Cristã -CVX-
  • Comunidades Eclesiais de Base, Coletivo Sumaj Kausay, Cajamarca, Argentina.
  • Coordenação Continental de Comunidades Eclesiais de Base.
  • Coordenadora Nacional de Direitos Humanos, Peru.
  • CPT Diocese de Óbidos, Pará, Brasil.
  • Direitos Humanos sem Fronteiras, Peru.
  • Direitos Humanos e Meio Ambiente de Puno -DEHUMA-, Peru
  • Diálogo Intereclesial para a Paz na Colômbia, DIPAZ, Colômbia
  • Diocese de Copiapó- Alto del Carmen - Chile
  • Diocese de Itabira- Fabriciano Minas Gerais, Brasil
  • Direção Diocesana de Cáritas de Choluteca, Honduras
  • Equipe de Articulação e Assessoria de Comunidades Negras do Vale do Ribeira, EAACONE, Brasil.
  • Equipe de Pesquisa em Ecoteologia, Universidad Javeriana, Bogotá.
  • Equipe Nacional de Pastoral Aborígine, ENDEPA, Argentina.
  • Franciscans International.
  • Irmãs da Misericórdia das Américas, Argentina.
  • Iglesia Evangélica Presbiteriana de Chigüinto, Chile.
  • Irmãos da Misericórdia das Américas Juventude Franciscana do Brasil - YouFRA-
  • Justiça, Paz e Integridade da Criação Verbitas - JUPIC SVD - Província BRN
  • Mercy International Association na ONU
  • Tabela Ecoteológica Inter-religiosa de Bogotá D.C. - MESETI -
  • Missionários Claretianos da América Central e San José del Sur, Argentina
  • Missionários Combonianos, Brasil e Equador
  • Movimento dos Atingidos por Barragens no Vale do Ribeira -MOAB- Brasil.
  • Observatório de Conflitos de Mineração da América Latina -OCMAL-
  • Escritório JPIC OFM, Roma.
  • JPIC Office San Columbano Missionary Society, Chile
  • Ordem Franciscana Secular, Uruguai
  • Organização de Famílias de Pasta de Conchos, México
  • Pastoral do Cuidado Infantil, Bolívia
  • Pastoral Indígena, Equador
  • Pastoral Indigenista de Roraima -Brasil-
  • Pastoral Social Cáritas Oruro, Bolívia
  • Diocese Pastoral Social de Duitama Sogamoso, Boyacá, Colômbia
  • Diocese Pastoral Social de Pasto, Nariño, Colômbia
  • Radio el Progreso Yoro-ERIC- Honduras
  • Rede de Educação Popular da América Latina e Caribe dos Religiosos do Sagrado Coração
  • Rede de Solidariedade Missionárias Servas do Espírito Santo, Brasil
  • Red Muqui, Peru
  • Rede Regional de Desenvolvimento Hídrico e Democracia, Piura, Peru
  • Secretariado Diocesano de Pastoral Social, Garzón Huila, Colômbia
  • Serviço Internacional de Solidariedade Cristã Oscar Romero -Sicsal-
  • Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia -SINFRAJUPE-, Brasil.
  • Serviço Internacional de Solidariedade Cristã com a América Latina, Oscar Romero, -SICSAL-
  • Serviços Koinonia
  • Vicaría de la Solidaridad, Escritório de Direitos Humanos, Jaén, Peru.
  • Vicariato Apostólico San Francisco Javier, Jaén, Peru.
  • Vivat International.

Ecoportal.net
SERVINDI
http://servindi.org/


Vídeo: Instituições Sociais: Igreja - Brasil Escola (Junho 2022).


Comentários:

  1. Toussaint

    Quero dizer, você permite o erro. Entre vamos discutir.

  2. Ichtaca

    Respondeu rapidamente :)

  3. Kamron

    Pura verdade!

  4. Octa

    Peço desculpas, mas, na minha opinião, você não está certo. Vamos discutir.



Escreve uma mensagem