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OGM ou ciência?

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Como um jovem cientista, Latham não se preocupava com os impactos ambientais ou à saúde dessas plantas criadas em laboratório, em parte porque seu entusiasmo pela ciência e pesquisa ofuscava outros aspectos, em parte porque ele não imaginava isso com a fragilidade e o nível de incerteza de tais técnicas, atingiriam os produtos de consumo e o meio ambiente.

Mas as empresas de OGM - e os cientistas que lucram com elas - não se importaram e agora várias safras e muitos alimentos com OGM chegaram aos nossos campos e mesas, apesar de seus efeitos prejudiciais.

Depois de analisar cuidadosamente várias avaliações de risco de safras GM, Latham aponta vários problemas. Uma delas é que são as empresas que fazem suas próprias avaliações de risco - as agências governamentais apenas as revisam, geralmente superficialmente. As empresas, apesar de seus dados de teste mostrarem danos ou testes de qualidade intencionalmente ruins, invariavelmente relatam que seus produtos estão OK.

São vários os casos - por exemplo, o milho Mon863 da Monsanto - em que cientistas independentes acessaram o estudo completo da empresa, verificando que as conclusões não eram consistentes com o próprio estudo, mas haviam sido maquiados para afastar o dano. As agências de biossegurança e segurança alimentar apenas leram as descobertas e aceitaram as recomendações da Monsanto. Isso também foi feito pela Comissão Federal de Proteção contra Riscos Sanitários (Cofepris) do México, embora o próprio estudo mostre sérias anormalidades em órgãos internos de ratos de laboratório.

Outro exemplo que Latham expõe é que a bactéria Bacillus thuringiensis, (usada para fazer colheitas transgênicas inseticidas Bt) é virtualmente a mesma que Bacillus anthrax, originada do conhecido antraz tóxico; e que a ação dos inseticidas Bt apresenta semelhanças estruturais com a da mamona. A mamona e o antraz têm sido usados ​​como potentes tóxicos contra os humanos. Além disso, acrescenta, não se conhece o modo de ação das proteínas Bt, o que impossibilita uma análise séria dos riscos à saúde, ainda mais grave porque as proteínas Cry (as do Bt) se mostraram tóxicas para as células humanas in vitro.

O aumento de agrotóxicos que os transgênicos acarretam é um grande problema para a saúde e o meio ambiente. O glifosato, pesticida mais utilizado com os transgênicos, foi declarado cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde. Latham explica que outro produto químico usado nas lavouras GM, o glufosinato, tem um mecanismo de ação (inibidor da enzima glutamina sintetase) que é tóxico para as ervas e também para muitos organismos como fungos, bactérias e animais. É neurotóxico em mamíferos e não é facilmente degradado no meio ambiente. Com OGMs manipulados para tolerar o glufosinato, ele permanece nas plantações, nós o ingerimos nos alimentos e não pode ser detectado até meses depois. Sua ação é tão ampla, diz Latham, que chamá-lo de herbicida dificilmente é um nome.

Latham e Allison Wilson, outro cientista, revelaram que uma sequência viral usada como promotor em quase todas as culturas transgênicas (CaMV, vírus do mosaico da couve-flor); Foi erroneamente considerado seguro durante 20 anos, mas um estudo encomendado em 2013 pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) mostrou que é capaz de alterar a expressão normal de muitos outros genes nas plantas, tornando-as indefesas contra doenças. A EFSA tentou ignorar o estudo, mas Latham e Wilson o levantaram.

O texto não só coloca em debate graves problemas dos transgênicos, como afirma que, se eles chegaram aos mercados e aos alimentos, é apenas devido à pressão comercial dos transgênicos transnacionais e à falta de ética dos cientistas envolvidos. Os mesmos atores que informam o governo e juízes no México a favor dos transgênicos, escondendo os verdadeiros problemas.

Precisamente, diante dessa falta de ética científica, dessas tentativas de simplificação absurda da complexidade da natureza e da falta de compromisso com as necessidades, culturas e história da maioria, formaram-se no mundo associações de cientistas críticos que não aceitam permanecem cúmplices da ciência mercenária que trabalha pelos interesses do lucro corporativo. Exemplos disso são a UCCS, no México, e a recém-formada União de Cientistas Comprometidos com a Sociedade e a Natureza na América Latina (UCCSNAL), que foi criada na Argentina, com cientistas e especialistas de 10 países do continente. A UCCSNAL posicionou-se pela proibição dos transgênicos, endossando em sua declaração constitutiva as palavras do falecido Dr. Andrés Carrasco (nomeado presidente honorário): Os transgênicos são uma tecnologia baseada em suposições falaciosas e anacrônicas que reduzem e simplificam a lógica científica, por ponto de não sendo mais válido.

O transgênico imperador está nu e cada vez mais cientistas responsáveis ​​o denunciam.

* Silvia Ribeiro, Pesquisadora do Grupo ETC

A jornada


Vídeo: A Ciência no Cotidiano EP 15 - Transgênicos OGM, o que são e suas aplicações (Julho 2022).


Comentários:

  1. Anbar

    Em suma, olhe você não desejará! Tocal de qualidade, mas você pode assistir!

  2. Amado

    Disse em confiança, minha opinião é evidente. Eu não queria desenvolver esse tópico.

  3. Nell

    Como a ordem vai entender?

  4. Yozshukasa

    Eu acho que esta é a ideia admirável

  5. Macdonell

    I mean it's falsehood.



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